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Formigas e pulgões: por que combater uns sem os outros não adianta

Formigas e pulgões: por que combater uns sem os outros não adianta

As formigas nas árvores frutíferas não estão ali por acaso — elas pastoreiam seu rebanho lá.

Os jardineiros costumam perceber formigas e pulgões como dois problemas separados. Na realidade, trata-se de um só problema, e resolvê-lo por partes é inútil.

As formigas se alimentam de melada — as secreções açucaradas dos pulgões. Por causa dessa fonte, comportam-se como criadoras de gado: transportam os pulgões para os brotos novos, protegem-nos de joaninhas e crisopídeos e, no inverno, levam os ovos para o formigueiro, para devolvê-los às plantas na primavera. Com esse cuidado, a população de pulgões cresce várias vezes mais rápido do que sem ele.

Daí a conclusão prática: tratar os pulgões sem considerar as formigas produz um resultado temporário. As formigas reconstituirão a colônia eliminada com pulgões trazidos de plantas vizinhas, e em duas ou três semanas você voltará ao mesmo ponto.

Uma estratégia eficaz tem duas partes. A primeira é limitar o acesso às plantas: cintas-armadilha nos troncos das árvores e remoção da casca morta, onde os pulgões passam o inverno. A segunda é agir sobre o próprio formigueiro, e não sobre as operárias forrageadoras. Nesse caso, funcionam iscas e géis de ação retardada: as operárias levam a isca para o formigueiro e alimentam a rainha e as larvas com ela. Um produto que mata no local não atinge o formigueiro e, por isso, dá apenas uma falsa impressão de resultado.

E é preciso ter paciência: com as iscas, o primeiro efeito perceptível surge depois de alguns dias, e o desaparecimento completo da colônia leva de duas a três semanas. Desenterrar o formigueiro com uma pá é mais rápido, mas normalmente só faz com que a colônia se mude alguns metros para o lado.